local_library Tower of God (Season 1) - Por que deves ler?

Publicado por: Ciclista - Há: 3 semanas atrás
Categoria: Resenhas



Gênero: Mistério, Comédia, Aventura

Lançado em: 2010

Autor: SIU

Artista: SIU

Capítulos: 79

Status: season 1 completa; season 3 em andamento

 

O que você deseja? Dinheiro? Glória? Poder? Vingança? Ou algo maior que tudo isso? O que quer que você deseje, "isso está aqui".


      Pela primeira vez na DreamNews, haverá uma resenha dedicada a introduzir um Manhwa. Para os novatos no assunto assim como eu, manhwa nada mais é do que a história em quadrinhos sul-coreana. Pela minha singela experiência, este tipo de livro aglutina algumas características das HQs americanas com os mangás japoneses. Os visuais, em especial a dos personagens, são bastantes semelhantes aos utilizados nos mangás. Em contrapartida, a forma de leitura é ocidental (da esquerda para a direita) e, no geral, os Manhwas costumam ser coloridos.


      Outro termo atribuído ao Tower of God é o de 'Webtoon', e isso simplesmente significa que o manhwa foi publicado gratuitamente na internet. Confesso que eu não sei ao certo como isso funciona, se este mecanismo é de alguma forma rentável para o autor, se é algum método de treinamento ou autodifusão, não faço ideia, mas se é de graça eu gosto.

 

      Uma vez explicado alguns prévios vocábulos, começarei a dissertar um pouco sobre a obra. Deixo claro desde já que inicialmente farei um breve epítome introdutório destinado aos que ainda não leram ToG e, mais à frente, uma review para os que já leram. Deixarei uma marcação bem clara sinalizando a partir de onde terão spoilers, então não se preocupem.

 

      Tower of God retrata o desenvolvimento de um misterioso garoto chamado Vigésimo Quinto Baam. Sua vivência nos confins de uma torre fora baseada num total isolamento da sociedade até que em um certo momento conhecera sua primeira amiga, Rachel. Quando Rachel resolve subir esta enigmática torre com o objetivo de realizar os seus sonhos, Baam, desconforme à (re)solidão, decide ir atrás de sua única amiga.


      Um ponto que achei bastante estranho, e aqui vai a minha primeira crítica, é que apesar de Baam ter vivido a maior parte da sua vida confinado, ainda consegue ter um bom convívio social com as pessoas (ou melhor, seres) que vivem dentro da torre. Quem já assistiu ao filme O Enigma de Kaspar Hauser se identificará com a crítica, pois, num estado semelhante, Kaspar fora abandonado numa caverna e quando tentara residir numa cidade próxima, era tão estranho aos olhos alheios que chegou a ser tratado como principal atração de um entusiasta do circo.

 

      As outras principais críticas à season 1 por parte do público são: o estilo dos traços, que de fato é amador e bem diferente do que estamos acostumados, mas a partir da segunda season este quesito é otimizado; e a (ausência de) personalidade do protagonista, pois Baam é, a princípio, um garoto bastante ingênuo que confia em qualquer um e abre mão de coisas essenciais apenas para o bem de outrem, ele também é conhecido como gado.

 

      Entretanto, Tower of God é uma experiência que eu não me arrependo e recomendaria de antemão àqueles que gostaram de obras como HxH e/ou Sword Art Online. Semelhante aos shonens, você acompanha a evolução dos personagens e ainda os vê concorrendo entre si, tornando-se algo divertido. Além disso, é uma leitura relativamente rápida, eu dediquei 30 minutos diários e finalizei-o em cerca de duas semanas. ToG é classificado como top tier dentre os webtoons e posso confirmar que não é em vão, pois se tornou a minha 2° HQ favorita.


Spoilers a partir daqui

      Agora tentarei comentar e expor as minhas interpretações sobre a obra, a começar pelo primeiro andar que de certa forma representa as minhas primeiras impressões com a torre. Para os que não se recordam bem, o primeiro andar é onde o guardião Headon realiza o primeiro teste dos irregulares que entram na torre. Curiosamente, de acordo com o autor, os murais do primeiro andar prenunciam toda a história da torre.

 

      O desafio proposto pelo guardião era estourar uma bola protegida por uma grande enguia de aço. Lembro que eu achava Headon apenas um incoveniente sádico que estava ali em busca de entretenimento, tentando eliminar qualquer um que aparecesse. Todavia, após revisão, passei a acreditar que o teste havia de fato um valor envolvido. A meu ver, o objetivo do teste era avaliar quão determinado o irregular estava para escalar a torre. Outrora Rachel negou o teste alegando se impossível, e talvez realmente era, mas você, caso inserido numa delicada situação, estaria disposto a desertar a sua sensatez para alcançar os seus sonhos?

      Rachel e Yuri, em essência, passaram pelo mesmo teste que Baam, mas em formatos diferentes. Rachel foi desafiada a trair o seu melhor amigo, enquanto Yuri foi avaliada ao doar a poderosa agulha Black March à um novato com o objetivo de facilitar o teste. Ambas alcançaram os seus objetivos a custo de algo importante à elas. A ranker em específico me trouxe lembranças de One Piece, quando Shanks diz que apostou o seu braço na nova geração. Portanto, arrisco-me a dizer que Headon não é mal-intencionado, apenas um testador peculiar.

 

      Devido aos poucos capítulos dedicados ao primeiro andar, pensava que o enredo seria alicerçado em inúmeros mini-testes com uma mensagem ou moral por trás que aumentaria de dificuldade gradualmente, semelhante aos cem andares do castelo de SAO. Bem, aqui jaz a minha primeira expectativa, mas não fiquei desapontado, pois talvez tornar-se-ia algo repetitivo, além de que a imprevisibilidade me desperta curiosidade sobre como serão os próximos andares.


      O segundo andar da torre, conhecido como caça-talentos, é na verdade, como explicado posteriormente, designado para manter a segurança da torre ou, em outras palavras, reprovar aqueles que representam perigo iminente.

 

     O primeiro teste é bem direto: tem 400 pessoas, acaba quando tiver 200. O que destaco nesse teste é o personagem Koon, que nos traz uma reflexão sobre autoridade. Dão-lhe uma regra, se você a segue sem questioná-la ou pensar alternativas à ela, segundo Koon, você pensa como um governado. Se mesmo com essa pista você continua a agir da mesma forma, você sequer é digno de ser governado.

      Koon não é o meu personagem favorito, mas confesso que é o mais interessante até então. Ele utiliza das estratégias para vencer, engenhoso como Shikamaru ou Armin, mas, diferente destes, Koon é ousado, pois não se importa em prejudicar seus aliados, nem em desafiar as autoridades em prol de seus objetivos. O último personagem que me lembro de ter tal sagacidade, é Sora de No Game No Life.

 

    O administrador de testes Lero-ro advertiu precisamente: o fator mais importante para escalar a torre chama-se sorte. Contudente com a afirmação, Baam passou pelos próximos três testes praticamente sem fazer nada e de brinde conseguiu uma exímia equipe. Ao mesmo tempo que me incomodo, devo elogiar o autor por escapar de diversos clichês, pois o protagonista é, pelo menos a princípio, um inútil e aposto que no começo a maioria dos leitores achava que Baam não encontraria Rachel tão cedo, assim como Mario alcança Peach somente após percorrer todo o castelo.

      Ainda falando de ambos, o que mais me deixou com uma pulga atrás da orelha foi a origem deles. Todos os regulares conhecem bem o mundo dentro da torre, tais como as nobres famílias e as raças, enquanto Rachel e Baam nesse quesito são ignorantes e tiveram que usar um portal para tornarem-se finalmente irregulares, como se tivessem vindo de um mundo diferente.

 

      Se eu pudesse dar um palpite, diria que Baam é a versão otimizada de um experimento, por isso possui 'Vigésimo Quinto' em seu nome, ou então pode ser apenas uma sucessão familiar, semelhante a D. Pedro I e D. Pedro II. Um experimento ou um abandono, ambas as alternativas explicariam o confinamento de sua vida, mas a primeira tornaria mais plausível o enorme talento resguardado nele.

 

      Mais indecifrável ainda é a origem de sua melhor amiga: foi dito que Rachel contava tudo sobre o exterior para Baam, mas por que diabos ela não o levou até o até lá? Por que ela preferiu ficar confinado ao lado de Baam? Como ela o encontrou num buraco? Novamente, a minha intuição é de que ela já sabia previamente o potencial dele e havia um interesse maior do que a genuina amizade.

      Se Rachel não conheceu Baam apenas por interesse, eu diria que suas atitudes são, hm... não justificáveis, mas compreensíveis. Imagino o vínculo deles como se um cachorrinho abandonado tivesse te encontrado e por dó ou compaixão você tivesse o acariciado, desde então este cachorrinho sente apego e começa a te seguir sem o seu consentimento, mas no caso de Rachel, este " cão " tem racionalidade e por vezes te impede de seguir os seus sonhos.

 

      Um dos próximos arcos, o teste do esconde-esconde, finalmente dividiu os trios anteriormente formados e nos trouxe também algumas revelações, pois finalmente tivemos a oportunidade de ver um ranker em ação, mesmo que de forma limitada. Não cabe a mim explicar todo o teste, pois havia diversas mini-regras, mas a condição de vitória era o escolhido da equipe fugir por um dos portões indicados ou então conseguir encostar no crachá do ranker.

      A equipe A, formada por Koon, Anak, Laure e compania, teve uma estratégia bem organizada, mas Koon e Laure falharam no teste propositalmente, pois já tinham a aprovação garantidas e queriam aprovar os seus respectivos amigos. Isso é quase que uma lição de moral para aqueles que acreditam cegamente em pessoas: mesmo que alguém seja muito hábil com algo, quem lhe garantirá que esse alguém usará essa habilidade ao seu favor? Não existem messias!

 

      Já a equipe B, formada por Baam, Androssi, Rachel e compania, foi um caos total, sem nenhum líder e com uma série de traições, ainda assim passaram no teste. O ponto crucial a ser ressaltado foi a batalha de Quant vs Androssi + Baam, onde a princesa pôde demonstrar o seu potencial batendo de frente com o ranker, enquanto Baam manifestou o seu dom dando suporte com a habilidade que acabara de aprender. Possivelmente a equipe A, de forma análoga, era capaz de ter vencido o teste somente com a dupla Anak + Laure.

 

      Algo que não ficou claro para mim é se este também era o segundo andar para todos os participantes. Anak tinha em mãos a Green April, Androssi é uma nobre princesa extremamente poderosa capaz de desafiar um ranker e Laure tinha um controle tão bom do shinsoo que passou por todos os testes cochilando. Esses três, em especial, não pareciam novatos como Baam, o que me faz cogitar a ideia de que Baam foi inserido junto com veteranos por ser um irregular.

 

      Baam se tornar um dos personagens mais fortes é inevitável, além de previsível. Somente o que lhe falta é senso de realidade, e a reviravolta final foi um bom estopim para isso. O que eu espero para as próximas temporadas é que o escritor não o torne tão poderoso a ponto de não saber mais como lidar com sua invencibilidade. Ou pior, Baam começar a restringir o seu poder ou sacrificar-se para o bem-estar de literalmente qualquer random que lhe peça socorro.


      Ademais, o enfoque desta season foi nos apresentar aos personagens e construir o mundo em si. Inclusive, acredito que ToG seja a obra com o melhor worldbuilding que já presenciei, e por se tratar de um cenário com constantes testes, os personagens mais bem desenvolvidos permanecem e os mais desprezíveis são deixados de lado, o que acaba tornando uma mão na roda para o autor construir uma trama atraente. A arte de SIU também é indubitávelmente paulatina. Óh Deus, seria de mais pedir um anime disso?

 

      O meu querido irregular @Mistrata está encarregado de trazer uma review da ilustre season 2 e está convidado também a comentar ou acrescentar algo nesta resenha. Espero que tenham gostado!

 

" Não importa quão pequeno seja um filhote de tubarão, ele não pode nadar com as sardinhas "

 

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