local_library Qual o crime em viver? - Bungou S3EP4

Publicado por: Mistrata - Há: 2 meses atrás
Categoria: Resenhas



"Meus maus atos são obras de Deus"

 

            Dando início à “real” nova temporada, Bungou, de forma ousada, diga-se de passagem; já começa anunciando a chegada dum novo personagem. Vilão, anti-herói, herói? A priori não fica claro, contudo presume-se que é um bom moçoilo, afinal fora sequestrado pela máfia do porto. A presunção, no entanto, é posta em xeque quando o “sequestrador”, que rendera o garoto, aduz que ele garoto é extremamente perigoso, bastando uma única palavra pra derrotar seus inimigos.

 

            O garoto é Fyodor Dostoyevsky.

 

            Fyodor encontra-se sob posse da máfia pois é líder duma organização rival, os “ladroes ratos na casa da morte”, no entanto, à contrassenso, mostra-se extremamente apático: como se nada daquilo o afetasse; como se, como dito no episódio, não tivesse alma. Numa situação destas, até o mais louco dos seres estaria em pânico: enclausurado por inimigos, não seria sua morte garantida? Porém isso não afeta Fyodor, o que na minha opinião fora, ou uma falha, já que entrega o final do episódio: se não está preocupado, é porque sabe que ficará bem; ou uma tentativa de mostrar quão poderoso é o personagem, fazendo seus inimigos de boi de piranha, visando mostrar o potencial deste. Creio que a opção escolhida fora a segunda. Ainda que de forma bastante forçada, tivemos um leve vislumbre da genialidade do garoto que, decerto, fará a devida oposição à Dazai e companhia.

 

            Um dos executivos da máfia alega, após libertar Fyodor da cela, numa tentativa de negociar com ele; que ele é um homem excepcional, capaz até de ter enganado a Guilda, bem como ser responsável direto da destruição do Moby Dick; o que gerou uma espécie de desconforto lógico na minha pessoa: como deixar Fyodor “livre” naquele lugar traria qualquer benefício? Não seria muito mais pratico apenas interroga-lo pela dor, talvez? De qualquer forma, por alguma razão, ainda que livre, Fyodor não mata ninguém ali, escolhe, na verdade, cooperar com o executivo, participando dum jogo duvidoso. É necessário, no entanto, destacar um ponto chave presente na cena: Fyodor não só aceita sem pestanejar, mas também faz uma aposta. A partir daí, ficaria claro pra qualquer outro personagem que aquilo era uma cilada, afinal, estava obvio que já passaram do tempo dum “blefe”, tendo Fyodor já se comprometido, mas o executivo, extremamente arrogante e egocêntrico, crê que derrotará seu oponente facilmente.  No decorrer do jogo, fica claro que Fyodor tem controle da situação, até que enfim vence, sem muitos esforços. Porém, descrente daquilo, o executivo assume estar numa realidade criada por Fyodor: É dito que seu poder é controlar consciência e espaço e decide cometer suicídio, visando sair da “ilusão”. Bom, o executivo já tinha informações sobre o poder do Fyodor e sabia como sair da ilusão, bastando se matar; contudo, ao meu ver, essa era a prisão perfeita! Apesar de ciente, seria extremamente anti-instintivo se matar. Ninguém são se mataria e isso é um fato. O instinto de autopreservação é tanto, que um filosofo, cujo nome não lembro, teoriza que: numa sociedade onde já não tememos os efeitos do tempo, onde todos teriam juventude eterna, incapazes de morrer, senão por intervenção alheia; as pessoas ficariam enclausuradas e isoladas em cubículos, jamais se pondo ao risco da morte. Mas talvez, possa-se dizer que o executivo não estava são: ele foi condicionado a crer que aquilo não era real, tanto pelo próprio Fyodor, quanto por algumas interações passadas. Esse condicionamento, talvez, causou uma terrível paranoia no personagem, que viu o fim da ilusão na morte. Falhou miseravelmente, consequentemente libertando Fyodor.

 

            Antes de continuar com o personagem, creio ser sensato relatar alguns fatos presentes no episódio.

 

             Logo após ter Fyodor sub custódia, o executivo citado vai ao encontro de Moria, para relatar sua conquista. Lá ocorre uma breve discussão, tendo inclusive uma pequena tensão entre outro executivo e o guarda de Fyodor, sobre quem deveria interroga-lo. Fica acordado que aquele que tem Fyodor em suas mãos o fará. Apesar disso, no entanto, é mencionado que este executivo só entrara na máfia para seu beneficio próprio, para ter guardas; e que só conseguiu a posição de executivo por fazer doações em dinheiro à máfia. Quando Moria é questionado sobre a lealdade  e força do executivo, responde, com um sorriso de orelha à orelha, dizendo que “Dinheiro é também um poder”. Isso não é característico de Moria. Um homem que visa o bem de sua cidade, disposto a matar o chefe anterior, sacrificar parceiros e amigos, que defende com unhas e dentes a cidade e máfia; simplesmente deixar um qualquer, cuja lealdade é duvidosa, questionar a potencial maior ameaça à espreita? Se em sã consciência, Moria deliberadamente trouxe a maior ameaça que já enfrentara sob si mesmo: talvez, numa visão diferente, poderia Moria estar criando um inimigo novo, uma terceira parte; com o intuito de joga-lo contra a agencia? Assim, podendo destruir ambos, quando lhe for conveniente? Me parece a única opção razoável vinda dum personagem tão inteligente e calculista.

 

             Após matar o executivo, Fyodor se dirige ao cofre: lá há uma lista contendo todas as individualidades de todos os membros da máfia. Isso faz parecer que, talvez, o feitiço tenha se voltado contra o feiticeiro. Ao que parece, o alvo prioritário de Fyodor será a máfia do porto. Enquanto procurava pela lista, encontrou um subordinado do executivo, que, previamente, mostrara sinais de deslealdade e traição. Aduzia que só seguia o executivo porque era obrigado, enquanto tentava aliciar Fyodor para seu lado, dizendo que não poderia sair dali. Há uma tentativa de humanizar esse subordinado, ele queria ser salvo do executivo e expressou isso diretamente, por que então entrar em choque quando viu que seu chefe estava morto? Ele cria que não só seu chefe, mas também a máfia eram maus, pra no fim perceber que talvez Fyodor, o homem pra qual suplicou salvação, fosse pior.

 

            Fyodor vê a morte como uma espécie de salvação: salvação deste mundo cheio de crimes. Ele atua como policial, júri e carrasco. Porém, sua motivação parece aplicar-se a todos seres humanos: por que visa destruir à máfia e agencia, apenas? Seus planos deviam englobar a tudo e todos, sem distinção. Além disso, como um homem com uma visão tão distorcida das coisas pode associar-se à alguém? Teoricamente ele “salvaria” qualquer um. Fica claro que é um vilão sem motivações, já que entra em conflito com eles constantemente; busca, talvez como o coringa, ver o circo pegar fogo. Há uma tentativa de referenciar “crime e castigo”, quando cita as mesmas palavras: pra ele, o crime é estar vivo e o castigo, conforme o livro, seria a “salvação”, mas sinceramente não colou: por que diabos seria viver um crime?

 

            Espero que expliquem tudo nos episódios futuros.

 

            No mais, creio que fora um episódio com tom conclusivo, já que visava apenas apresentar o antagonista da temporada; e por hora, muito provavelmente, não terá a relevância esperada nos acontecimentos, não até o clímax.

 

            Trilha sonora passou bem despercebida, creio que podiam caprichar um pouco mais, sobretudo nos diálogos extremamente cansativos; e a animação, como de costume, continua boa, mesmo que não tenha sido “exigida” no episódio.


Por conta duns emprevistos, não pude postar semana passada, e acabei atransando um episódio. Pretendo postar Review do Ep seguinte hoje ou amanhã. Vos peco compreensão <3.

A proposito, não tive tempo de fazer revisão do texto, podendo, talvez, conter alguns erros: relevai, pls :v.

Creio estar desenvolvendo um novo estilo de reviews: espero estar agradando, caso tenham notado mudancas, portanto, agradeco um Feedback.

No mais, espero que aproveitem o episódio de Game of Thrones de hoje.

bye

~mistrata

 

 

person Sobre o Autor

Sim! Eu sei muito bem de onde venho! Insaciável como a chama no lenho. Eu me inflamo e me consumo. Tudo que eu toco vira luz, Tudo que eu deixo, carvão e fumo. Chama eu sou, sem dúvida.

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