local_library Perto, mas ainda distante - Kono oto Tomare! EP10 + EP11

Publicado por: Ciclista - Há: 1 mês atrás
Categoria: Resenhas



Deixarei-vos estes prévios avisos em todas as resenhas deste quadro:

 

             Esta resenha é exclusivamente sobre os episódios 10 e 11 de Kono oto Tomare! ("Stop this Sound!") e pertence ao novo quadro de criação de conteúdos do site. Se ainda não acompanhaste as reviews anteriores desta série, clique aqui para conferí-las!

 

       Não é de minha pretensão descrever os episódios, tampouco compará-los com episódios posteriores ou com cenas do mangá, portanto não haverão spoilers aqui. mas ainda assim recomendo que só leia esta resenha após ter assistido ao décimo e undécimo episódio, pois assim compartilharemos experiências simetricamente. Esta review em específico foi no formato " 2 em 1 " porque estive ausente durante o período de provas, peço perdão desde já.


Análise e Comentários

 

      Estes dois últimos episódios são fragmentos formidáveis para quem está assistindo KoT por seu conteúdo cultural. A começar pelo décimo episódio, fomos introduzidos novamente ao período de incessantes ensaios em busca de preencher a lacuna existente entre o grupo e os demais clubes do país. Os co-protagonistas, em especial Kota, são os primeiros a sentirem dificuldades, e isso é natural, pois estes são os únicos que nunca tiveram contato com o koto antes de ingressarem-se no clube. Agora, com um objetivo em mente e dificuldades identificadas, basta passarem por um processo semelhante ao de Diagrama de Ishikawa, uma das mais conhecidas ferramentas da qualidade.

 

      Por meio desta e inspirado pela empolgação do restante do clube, nosso representante Takezou propõe uma atividade de convivência extra-classe: um acampamento. No entanto, aparentemente o contingenciamento de gastos na educação proposto pelo governo Bolsonaro atingiu até o Japão; não há verbas suficientes para o dinamismo. E é com essa deixa que nossa auto-proclamada vice-presidente entra em ação e indica a hospedagem disponível de seus tios - sempre é bom ter um playboy no grupo. De fato o papel de vice-presidente combina com a Hiro, haja vista sua personalidade proativa e seu esforço em entender o que os outros estão sentindo.

      Apesar do alojamento pertencer aos tios de Kurusu, estes não foram apresentados, em vez disso tivemos a partipação do coordenador Takinami, que aparentemente dá bastante importância para seu emprego de renda extra. Agrupando-se em pares, o clube começou a praticar novamente, em especial suas ritmizações. Aqui devemos destacar a capacidade de Chika em aprender rápido, talvez seja isso que chamam de talento.; e a inexperiência de Kota, nem a Kurusu que é uma boa manipuladora consiguiu desvendar o que ele esconde sua disposição sempre alegre.

      Toda essa atmosfera fez-me lembrar do livro "A Meta" de Goldratt, uma parábola que consiste em identificar gargalos de um sistema interdependente para assim otimizá-lo. Explicando de forma mais simples, o protagonista, certo dia, como chefe-escoteiro de uma trilha, tem o papel de levar todos os escoteiros do ponto A ao B antes do pôr do sol. Naturalmente há meninos mais lentos e outros mais rápidos, mas todos precisam andar juntos, são crianças afinal. Diante do dilema, qual seria a metodologia mais eficiente para que consigam chegar a tempo no destino?

 

      Para que ninguém se perca, o chefe decidiu que andem em fila, mas o resultado foi de que sempre havia uma boa lacuna entre o mais lento, Herbie, e a criança em sua frente. Então o protagonista resolve deixar Herbie na frente, organizando todos do mais lento para o mais rápido. É estranho deixar o mais veloz no final da fila, mas isso garante que todos andem em grupo por questões de segurança, todavia todos seguiam o ritmo lento de Herbie. A resposta então, seria aliviar todos os empecilhos de Herbie, pois um mízero metro/segundo mais veloz faria com que chegassem mais depressa. Para isso o chefe distribui todo o peso da mochila de Herbie para o restante dos garotos e, devido uma significativa melhora, conseguem chegar a tempo.

 

 

      Portanto, qualquer melhora de Herbie, por menor que seja, iria aprimorar o ritmo de toda a equipe. Acho que já sabem onde quero chegar. Kota, sentindo-se hábilmente distante de seus companheiros, deixa a pousada no meio da noite. A princípio o pessoal considerou dele ter voltado para casa sem avisar e decidem buscá-lo, entretanto no caminho cogitaram até seu possível suicídio. Por se tratar de um anime dramático, não descartei essa possibilidade, mas ao mesmo tempo não conseguia aceitar, como diabos o clube reageria à algo tão repentino? Logo após Kudo o encontra na beira de um lago praticando koto sozinho. Acho simplesmente cativante a forma como o anime resolve um possível drama e transforma-o em uma cena feliz e edificante quase que imediatamente.

 

      Seguindo a analogia, Kota seria atualmente o gargalo da equipe, e isso não é motivo para abandoná-lo ou substituí-lo, mas sim torná-lo foco durante os treinos, principalmente quando os gargalos tratam-se de seres humanos. Agora que Kota se sente acolhido por todo o clube, as chances dele superar suas falhas são maiores e isso é crucial mesmo que ele não seja um dos protagonistas, talvez vocês se lembrem o show do quinto episódio quando ele errou uma nota e desestabilizou o restante, e então Satowa contornou a situação aumentando a amplitude de seu som, o que foi algo plausível para o momento, mas indesejável enquanto um grupo.


      A partir do undécimo episódio, os duetos já estão razoavelmente sincronizados, especialmente Kudou + Takezou. E que episódio incrível, diga-se de passagem, ainda mais levando em conta que é um episódio-ponte para o que realmente interessa. Antes de destrinchá-lo, deixo aqui uma indagação: Satowa reconheceu a possibilidade de Takinami ter experiência com a música, poderia então a Satowa, uma devida profissional com o koto, ter errado em sua suspeita? Ou será que de fato o coordenador esconde algum passado artístico? Honestamente, não consigo ver reações mendazes quando ele o nega, mas é um questionamento dubitável.

 

      O primeiro impasse abordado após os treinos foi a abstração do significado da peça, e isso é ótimo, pois é secante à toda a simbologia e folclore presente no koto, além da importância de entender uma obra antes de tocá-la com maestria, afinal, não alcançamos o sucesso com um grande salto, mas sim passo a passo. Quando eles tocaram 'Ryuuseigun' no quinto episódio, eles conseguiram entender (ou pelo menos interpretar) que os dragões conectam o céu e a terra, ou seja, duas coisas não conectadas, então seria o propósito da " chuva de meteóros " conectar os corações dos tocadores ao público. Desta vez, o enigma de 'Rokudan' é " salte através do tempo como o vento e desejo ", que foi decifrado por Kota como " os tempos fugazes que gostaríamos que fossem eternos ".

      Ao partir para o evento, o clube descobre que Meiryo, a escola que mostrou-se tão superior quanto ao desempenho há dois episódios atrás, não foi capaz nem de estar entre os três melhores do nacional, o que acentua a longa jornada que Tokise tem pela frente, ainda mais agora que, por Meiryo ser a primeira a apresentar-se, o levelset da competição estará acima da média desde o começo. A música tocada neste episódio chama-se 'Hyakkafu', uma peça extensa que possui um ritmo e técnica difíceis de serem executados e descreve as quatro estações, sendo o auge da música o solo invernoso.

 

 

      " Eu sinto o mesmo que quando ouvi a Houzuki tocar... ", este é o comentário de Chika após a finalização do espetáculo, bastante pertinente, aliás. Honestamente, eu não estava esperando um backstory para Ousuke, mas aconteceu de forma impecável, somou bastante para o significado de sua apresentação e demonstrou ser ortogonal à narrativa de Satowa; ambos estiveram isolados em sua infância e estão em um nível semelhante, mas por razões distintas. Satowa ficava sozinha porque levava koto muito a sério e sua família dava-lhe pouca oportunidade de relacionar-se com outrem, enquanto Ousuke estivera solitário porque havia problemas de saúde (acredito que asma) que o impedira de brincar com as outras crianças, portanto aderira ao koto por não ser algo fisicamente desgastante.

 

      No entanto, o que era um afastamento involuntário pasa Ousuke, tornou-se um isolamento voluntário, por essa razão houve a metáfora da estação fria para o mesmo. De forma análoga, Houzuki inicialmente construira uma dupla personalidade para ocultar seus verdadeiros sentimentos. Hoje, por serem os maestros de seus respectivos grupos, ambos devem desempenhar uma certa liderança durante as apresentações. Houzuki é notoriamente mais talentosa, a julgar por seu renome no cenário, mas, em contrapartida, Ousuke possui a habilidade de guiar o restante de seu grupo, o que torna-os equivalentemente nivelados enquanto regentes.


      Para minha admiração, nestes dois últimos episódios tivemos uma boa dose de koto e um pouco menos de cenas românticas. Ousuke foi a grande surpresa, quem diria que um personagem que se demonstrava abertamente relacionável teria um passado tão assombroso e que isso encaixaria com a temática de sua peça. O próximo episódio se chamará " rivais ", deixando-nos curioso do que o título se refere, talvez Satowa x Ousuke? ou um Meiryo x Tokise? pode ser até mesmo alguma rivalidade de Takinami, já que ele teve algum destaque na preview. Enfim, mal posso esperar a performance do clube.

 

Evolução da minha avaliação pessoal do anime:

EP1: 06/10

EP2: 07/10

EP3: 07/10

EP4: 08/10

EP5: 10/10

EP6: 09/10

EP7: 09/10

EP8: 08/10 // EP9: 08/10

EP10: 08/10 // EP11: 09/10

[...]

 

      Diga-me, caro dreamer, o que acrescentarias para a discussão deste episódio? Concordas com tudo o que digo? Sentes falta de algo? Abaixo, nos comentários ou em nosso servidor do discord, são os espaços onde podes exprimir o que pensas! >:)

 

" Dizem que os dragões conectam o céu e a terra, o mundo dos vivos e dos mortos, juntando duas coisas não conectadas. Então Kotos, que são criados para se assemelhar a esses mesmos dragões, conecta os corações dos tocadores e do público ".

 


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